Amiga, escuta o que vou te falar.
Um dia ele vai passar e você nem vai perceber. Até vai olhar de relance, vai notar que ele está mais gordo, velho e feio. Vai achar que não tem o mesmo brilho, que perdeu toda a graça de outros tempos.
Um dia você vai descobrir como tem gente boa de verdade por aí. Que pensa diferente de você, mas nem por isso deixa de ter aquela semelhança que você tanto procurou. Que ri das suas piadas. Que te leva pra neve no inverno e pra praia no verão.
Sim, você vai descobrir que a vida não para no primeiro, segundo ou terceiro fora. Que não esbarra na sua dor de cotovelo, naquela vontade de ficar chorando no meio da balada quando todo mundo ao seu lado parece se divertir.
Meio sem querer você acorda e percebe que sua mãe tinha razão. É, tudo passa. E até se questiona sobre o tempo que perdeu tentando achar explicações, caminhos, saídas. Pra que, afinal de contas?
Então você veste a sua roupa mais bonita. Arruma o cabelo. Vai ao salão. Combina uma balada. Marca um encontro. Beija de novo, abraça outra vez. Sente o coração mais leve. Se sente mais bonita, inteira, feliz.
E justamente nesse dia, ele passa e você nem nota. Vai notar por que?
sexta-feira, 15 de julho de 2011
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Meu lirismo
Eu queria escrever isso pra você.
Dizer que estou crescendo, desabrochando, mudando.
Que minha poesia não está mais presa.
Que ela nasceu pra se espalhar, pra se mostrar, pra me ensinar.
Eu queria que você entendesse minha letra.
Minhas palavras,
meus devaneios,
meus sorrisos,
meu silêncio.
E que você soubesse interpretá-lo como uma agonia constante,
como um medo irreal, irrestrito, responsável.
Queria que você visse o meu caminhar,
percebesse que me pus a frente,
que não parei,
que ultrapassei aquela faixa estreita que sempre se pôs perto de nós.
Eu queria que você me escutasse,
que me sentisse na minha acidez, na minha doçura,
que me acalmasse do cansaço,
que me desse fé.
Eu queria mesmo era te escrever pra te contar as mesmas coisas que você já sabe, que você sempre soube.
Que minhas malas estão prontas.
E que agora, agorinha mesmo,
eu decidi fechás-la pra poder partir.
Dizer que estou crescendo, desabrochando, mudando.
Que minha poesia não está mais presa.
Que ela nasceu pra se espalhar, pra se mostrar, pra me ensinar.
Eu queria que você entendesse minha letra.
Minhas palavras,
meus devaneios,
meus sorrisos,
meu silêncio.
E que você soubesse interpretá-lo como uma agonia constante,
como um medo irreal, irrestrito, responsável.
Queria que você visse o meu caminhar,
percebesse que me pus a frente,
que não parei,
que ultrapassei aquela faixa estreita que sempre se pôs perto de nós.
Eu queria que você me escutasse,
que me sentisse na minha acidez, na minha doçura,
que me acalmasse do cansaço,
que me desse fé.
Eu queria mesmo era te escrever pra te contar as mesmas coisas que você já sabe, que você sempre soube.
Que minhas malas estão prontas.
E que agora, agorinha mesmo,
eu decidi fechás-la pra poder partir.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Reencontros
No nosso primeiro encontro, eu chorava baixinho, como quem pedia ajuda, como quem busca colo.
Eu ri a noite inteira tentando secar minhas lágrimas, sufocar minha mágoa, me libertar. Lembro de todas as músicas que tocaram de fundo e da despedida no dia claro, que só eu sonhei que pudesse ser perfeita. Era verão.
Depois, fomos nos encontrar mais duas ou três vezes, sempre no frio, sempre no inverno.
Ontem ele me viu chorando de verdade, pos a mão no meu ombro e perguntou o que eu tinha. Engraçada essa coincidência de encontrar sua cura cada vez que um abismo se abre na sua frente.
Eu olhei pra ele, enxuguei a lágrima e sorri.
Lembro pouco do que aconteceu depois. Não foi como eu sonhei. Foi como eu acordei.
*Agora eu me vejo parado em frente a um grande arranha-céu. Imaginando você.
Eu ri a noite inteira tentando secar minhas lágrimas, sufocar minha mágoa, me libertar. Lembro de todas as músicas que tocaram de fundo e da despedida no dia claro, que só eu sonhei que pudesse ser perfeita. Era verão.
Depois, fomos nos encontrar mais duas ou três vezes, sempre no frio, sempre no inverno.
Ontem ele me viu chorando de verdade, pos a mão no meu ombro e perguntou o que eu tinha. Engraçada essa coincidência de encontrar sua cura cada vez que um abismo se abre na sua frente.
Eu olhei pra ele, enxuguei a lágrima e sorri.
Lembro pouco do que aconteceu depois. Não foi como eu sonhei. Foi como eu acordei.
*Agora eu me vejo parado em frente a um grande arranha-céu. Imaginando você.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Deixa ele entrar
Quando o amor bate na porta, a gente tem que ir atender.
Tem que convidá-lo prum chá, um café, uma água, o que seja.
Porque o amor se anuncia leve, se anuncia exato, se anuncia cor.
Ele entra bem devagar, até tomar conta da sala, do quarto, de nós.
Ele nunca vai pedir para sair, a não ser que a gente decida mandá-lo embora, pela porta da frente ou pela porta dos fundos.
Se mandar, a gente não pode mirá-lo pela última vez sem dor e sem culpa. Porque quando o amor escapa, ele dói, ele arde, ele mata.
Quando o amor bate na porta, a gente tem que recebê-lo de pijamas, pantufas ou com o vestido mais lindo do guarda-roupa.
A nossa única missão é mesmo deixar a porta aberta.
Porque se ele entrar, a vida muda.
E a gente não vai parar de sorrir.
Tem que convidá-lo prum chá, um café, uma água, o que seja.
Porque o amor se anuncia leve, se anuncia exato, se anuncia cor.
Ele entra bem devagar, até tomar conta da sala, do quarto, de nós.
Ele nunca vai pedir para sair, a não ser que a gente decida mandá-lo embora, pela porta da frente ou pela porta dos fundos.
Se mandar, a gente não pode mirá-lo pela última vez sem dor e sem culpa. Porque quando o amor escapa, ele dói, ele arde, ele mata.
Quando o amor bate na porta, a gente tem que recebê-lo de pijamas, pantufas ou com o vestido mais lindo do guarda-roupa.
A nossa única missão é mesmo deixar a porta aberta.
Porque se ele entrar, a vida muda.
E a gente não vai parar de sorrir.
terça-feira, 28 de junho de 2011
Para meu pai*
Eu acordava todo domingo com a casa cheia de música. Era o som exato da vida que morava lá. Fosse sol, chuva ou frio, ele cuidava para que a melodia nos preenchesse de alegria, de uma paz que poucos conhecem.
Demorou para eu me acostumar com silêncio. Mas todo filho vai embora um dia. Depois volta, com a mala cheia de certezas que o tempo consolida, com a expressão mais séria, enrugada. Com paisagens do mundo adulto, aquele que nos abraça com força, num extenso caminho sem volta.
Mas eu continuo sentindo a música todos os dias. Eu a escuto involuntariamente quando ele me liga e eu atendo, às vezes mal-humorada, porque acabei de acordar ou porque estou indo dormir. Eu ouça essas notas quando ele me olha e me abraça sem precisar me tocar. Eu escuto e canto essa música toda vez que a vida me coloca dúvidas e ele me enche de certezas.
Ele é o Pedro. Pedro Paulo, meu pai. Herói desde que o conheço. Amor, dedicação, zelo, cautela. Ele é o centro das minhas referências. Meu filósofo preferido (filósofo mesmo, de formação). Meu professor inesquecível (professor mesmo, por opção). Meu grande amigo, daqueles que aparecem na hora certa, no tempo certo e para quem eu posso chorar a qualquer momento do dia, da noite, da madrugada.
Eu sei que vou vê-lo envelhecer de longe. Que ele me criou para o mundo. Que dificilmente aquela música vai voltar a tocar de verdade. Mas eu também sei que nosso amor é inviolável e que não precisamos de mais do que isso para sermos eternamente um do outro.
Eu não consigo lembrar de nenhum momento difícil ou feliz em que ele não tenha estado do meu lado, celebrando minhas conquistas, me incentivando a voar. Segurando a minha mão, limpando minhas lágrimas. Ouvindo. Falando.
Aos 28 anos, não caibo mais naquele colo. Mas ele é o lugar onde eu poderia ficar para sempre. É o lugar para onde eu vou voltar toda vez que precisar. Porque eu sei, com uma certeza única, que Pedro, meu pai, sempre estará a minha espera com a mesma música. Com o mesmo amor.
*no dia do seu aniversário
Demorou para eu me acostumar com silêncio. Mas todo filho vai embora um dia. Depois volta, com a mala cheia de certezas que o tempo consolida, com a expressão mais séria, enrugada. Com paisagens do mundo adulto, aquele que nos abraça com força, num extenso caminho sem volta.
Mas eu continuo sentindo a música todos os dias. Eu a escuto involuntariamente quando ele me liga e eu atendo, às vezes mal-humorada, porque acabei de acordar ou porque estou indo dormir. Eu ouça essas notas quando ele me olha e me abraça sem precisar me tocar. Eu escuto e canto essa música toda vez que a vida me coloca dúvidas e ele me enche de certezas.
Ele é o Pedro. Pedro Paulo, meu pai. Herói desde que o conheço. Amor, dedicação, zelo, cautela. Ele é o centro das minhas referências. Meu filósofo preferido (filósofo mesmo, de formação). Meu professor inesquecível (professor mesmo, por opção). Meu grande amigo, daqueles que aparecem na hora certa, no tempo certo e para quem eu posso chorar a qualquer momento do dia, da noite, da madrugada.
Eu sei que vou vê-lo envelhecer de longe. Que ele me criou para o mundo. Que dificilmente aquela música vai voltar a tocar de verdade. Mas eu também sei que nosso amor é inviolável e que não precisamos de mais do que isso para sermos eternamente um do outro.
Eu não consigo lembrar de nenhum momento difícil ou feliz em que ele não tenha estado do meu lado, celebrando minhas conquistas, me incentivando a voar. Segurando a minha mão, limpando minhas lágrimas. Ouvindo. Falando.
Aos 28 anos, não caibo mais naquele colo. Mas ele é o lugar onde eu poderia ficar para sempre. É o lugar para onde eu vou voltar toda vez que precisar. Porque eu sei, com uma certeza única, que Pedro, meu pai, sempre estará a minha espera com a mesma música. Com o mesmo amor.
*no dia do seu aniversário
sexta-feira, 17 de junho de 2011
domingo, 12 de junho de 2011
Busque
Me deu a mão no dia mais cinza dos últimos tempos. Eu agradeci, tímida, porque realmente precisava daquele alento, naquela hora, naquele instante. Eu arrisco dizer que, até então, desconhecia todas as dúvidas, os lapsos e as lacunas da palavra amor. Descobri tempos depois, quando sentei comigo mesma, dessa vez em um dia de sol a pino, e decifrei cada milímetro do que eu sentia. Eu não sabia ser coerente diante daquele novo mundo, que era tão cheio de dúvidas quanto de certezas firmes e categóricas. Eu não sabia ser sensata, equilibrada, normal. Teria de aprender, um dia, como uma criança que começa a ser alfabetizada e só consegue balbuciar sílabas. Mas eu me deixei levar. Tudo isso porque entendi.
*
Na minha vida hoje falta pouca coisa.
*
*
Não tenha medo das paixões.
*
Busque.
*
Na minha vida hoje falta pouca coisa.
*
*
Não tenha medo das paixões.
*
Busque.
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